Politóloga Roselma Évora afirma que mesmo com ganhos visíveis ainda há questionamentos ligados a uma democracia plena

13 de janeiro de 2022

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O 13 de janeiro de 1991 foi um marco histórico em Cabo Verde. Hoje com ganhos visíveis, mas ainda com questionamentos ligados a uma democracia plena e consolidada. A politóloga Roselma Évora deixa-nos pistas para uma maior responsabilidade individual e coletiva na construção de uma democracia real.

Cabo Verde ao completar 31 anos do 13 de janeiro, como marco da implantação do regime democrático pluralista, pode hoje comemorar os significativos avanços conquistados no âmbito do amadurecimento de toda a sociedade para a democracia e falar numa democracia consolidada. 

A realidade nos mostra que país ganhou a vitalidade do regime democrático que exige, a liberdade de imprensa, o respeito às liberdades civis e a realização de pleitos eleitorais credíveis com regularidade e alternâncias políticas, quesitos estes nos quais Cabo Verde tem alcançado avaliação positiva dos observadores internacionais. Mas há ainda muitos desafios aponta Roselma Evora.

Apesar do óptimo desempenho nos critérios “processo eleitoral e pluralismo” e “ direitos civis” o país tem ainda alguns desafios como melhorar o desempenho nos critérios “participação política” e “cultura/maturidade política”. Roselma Évora ao citar estudos que revelam a necessidade de maior participação individual e colectiva nas actividades políticas e no processo de desenvolvimento do país em todos os níveis traz a tona também alguns questionamentos.

Para a politóloga Roselma Évora a educação cívica é ainda um défice da nossa democracia e a cultura autoritária e ainda muito presente no Estado.

A democracia cabo-verdiana apesar de jovem tem ganhos que provam a a vitalidade do regime democrático mas por outro lado esta com uma tendência para declínio e o perigo esta no desencanto politico e existência de instituições sem um funcionamento pleno e efetivo.

Entre os diversos países africanos que tomaram a independência nos anos 1970, Cabo Verde sempre vem merecendo destaque nos indicadores internacionais pelos avanços conquistados no plano económico, social e de estabilidade política com a consolidação da Democracia. Sobre este destaque a Roselma defende uma mensagem desconstrutora da mensagem de que a nossa democracia é plena e maravilhosa.