Bubista resolveu a equação com mãos abençoadas. Ele também tem mão de Deus

08 de outubro de 2021

Bubista antes do jogo com Libéria (Foto: FCF)
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Não é do imortal astro argentino, Diego Maradona, que se vai falar nesta crónica, mas houve uma espécie de “mão de Deus” no jogo desta quinta-feira, em Acra, na vitória de Cabo Verde sobre a Libéria. Essa mão “divina” foi de… Bubista. (Crónica de Benvindo Neves)

Foi uma Quinta-feira Santa para a seleção cabo-verdiana de futebol. Os Tubarões Azuis ganharam fora de casa e, ainda, viram o adversário mais poderoso do grupo C, a Nigéria, perder, de forma surpreendente, no seu estádio diante da República Centro Africana. Ou seja, em poucas horas, Cabo Verde viu reduzir a distância em relação ao primeiro lugar de 5 para 2 pontos. Na prática, ganhou 2 em 1.

E foi, precisamente, por este aspeto que o selecionador nacional começou a sua abordagem ao falar à Rádio de Cabo Verde da jornada desta quinta-feira abençoada.

“Primeiro, tenho de dizer que o que vínhamos afirmando desde o início é o que está agora a acontecer. Sempre dissemos que ninguém perde uma qualificação em duas jornadas, da mesma forma que ninguém se qualifica em duas jornadas.”

Olhando agora mais especificamente para o jogo com a Libéria, as coisas nem começaram bem para Cabo Verde. Numa primeira parte amarrada, quase que não houve oportunidades de golo. E quando se pensava que o intervalo iria chegar com um nulo, eis que, nos descontos, um lance feliz para os liberianos acabou com a bola no fundo das redes da baliza de Vozinha. Foi mesmo o último lance da primeira metade.

Bubista ia para o descanso com problemas por solucionar. Teria de fazer bem os cálculos e descobrir o melhor caminho para resolver a equação.  É que, pela primeira vez nesta fase de qualificação, a equipa ia para o intervalo em desvantagem. Aliás, nas duas primeiras jornadas, Cabo Verde foi sempre o primeiro a marcar, sempre antes do intervalo. Desta vez, o cenário era outro.

O futebol vive de resultados, é um clichê, ya! E ninguém no futebol sofre mais com a oscilação dos resultados como os treinadores. Coitados, se estão a ganhar, tudo bem, são os melhores. Um empate, duas derrotas, três … “a porta da rua” começa a acenar com a “serventia da casa.”

Ora, depois das duas primeiras jornadas (empate fora com a RCA e derrota caseira com Nigéria) o selecionador nacional não foi poupado, sobretudo nas redes sociais. Digamos que, rapidamente, se transformou naquele tal bode, bicho que é (arbitrariamente) escolhido para carregar, sozinho, a culpa por todos os males de uma situação.

Mas, pode dizer-se que depois do “sacrifício” e da “expiação”, ontem o “bode” viu-se expurgado dos “seus” pecados. E teve direito à bênção, que se revelou pelas suas mãos.

A perder, Bubista foi ao banco buscar as chaves para abrir as portas do paraíso. E foi célere a agir. Depois do reatamento, só esperou 1 minuto para mexer no seu xadrez. Retirou um central, Carlos Ponk, e lançou o médio criativo Jamiro Monteiro. O resultado foi imediato: o jogador dos Philadelphia Union, da MLS, precisou de apenas seis minutos em campo para marcar. E fê-lo em estilo. Um grande pontapé, de primeira, mesmo junto à marca de grande penalidade, dando seguimento a uma boa jogada desenvolvida por Ryan Mendes pelo flanco esquerdo.

Porta semiaberta, faltava ainda uma outra mão de Bubista para a escancarar e ter os três pontos a vir ao encontro dos crioulos.

Do banco, chamou Garry Rodrigues, decorria o minuto 63. O avançado, agora do Olympiakos da Grécia, esteve meia hora em campo e esperou até ao derradeiro instante para dar o golpe fatal. Fê-lo, também, em grande estilo, numa iniciativa individual notável. Estava consumada a revelação: as tais mãos de Deus do selecionador Pedro (uá, ele tem nome de Apóstolo!)  

Há dias assim, em que o treinador é feliz e, num esfregar de olhos, salta do inferno à glória, deixa de ser xuxo e vira Deus. Ou, pelo menos, passa a ter as mãos d’Ele.

Bubista esboçou um sorriso antes de comentar esta situação à Rádio de Cabo Verde.

“Às vezes acontece, às vezes temos sorte. Noutras, as coisas não acontecem da forma como prevemos. Desta vez deu certo, mas quero realçar também os outros jogadores que entraram e que, mesmo não tendo feito golos, estiveram muito bem.”

No domingo há mais. Cabo Verde volta a jogar com a Libéria, agora no Estádio Adérito Sena, na cidade do Mindelo. A caravana dos Tubarões Azuis só vão chegar a São Vicente na tarde de sábado, pouco mais de 24 horas antes do jogo, marcado para às 15h00.

O selecionador nacional já fez saber que, depois de uma terceira jornada muito feliz (Cabo Verde ganhou pontos à Libéria e à Nigéria), o jogo do próximo dia 10, em casa, ganha inda mais importância.

Todos esperamos que os Tubarões Azuis façam um grande jogo e, acima de tudo, um grande resultado. Se não for por mérito próprio, que venha então em nossa direção umas mãozinhas divinas. Como aquelas que Bubista teve ontem no Gana. Como aquelas, já agora, que os nigerianos tiveram há um mês, no estádio Adérito Sena.    



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