“Não se pode exigir mais a uma seleção que fez primeiro treino coletivo um dia antes da competição” - Selecionador nacional

23 de setembro de 2021

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A seleção nacional de basquetebol feminino despediu-se esta quarta-feira, 22, do Afrobasket feminino 2021, após derrota (82 – 65) com Angola, somando, deste modo, três desaires em três partidas.

O selecionador nacional, António Moreira “Zola”, em declarações à Rádio de Cabo Verde, lamentou esta saída precoce da competição.

“As jogadoras, principalmente, ficaram muito desiludidas com o resultado. Elas terminaram o jogo todas cabisbaixas, mas disse-lhes para levantarem a cabeça. Em relação ao jogo, o primeiro período foi tudo. Num qualquer jogo de basquetebol, podes perder o jogo logo nos primeiros cinco ou seis minutos se deixares o adversário avançara sobre ti da forma como aconteceu. Mesmo assim, continuaram a acreditar e conseguiram estar bem nos três restantes períodos. Mas o jogo ficou decidido no primeiro quarto.”

Zola não tem dúvidas: a falta de uma preparação adequada acabou por determinar este desfecho.

“Vimos todos, recentemente, a potencialidade da seleção masculina. Todo aquele que conhece o basquetebol e que viu esta seleção feminina, viu a sua potencialidade. Agora, numa batalha tens de estar bem preparado. Para equipa que teve o seu primeiro treino coletivo um dia antes do primeiro jogo, não se pode exigir mais nada dessa equipa. Pelo menos elas batalharam, mas numa batalha é a preparação que faz a diferença.”

Por isso, o selecionador chama atenção, novamente, para a necessidade de se rever a questão do financiamento às seleções.

“É preciso pensar diferente, já tinha falado nisso. Tem de haver essa decisão, o financiamento para as seleções tem de ser à parte e antecipadamente. Assim, treinadores, atletas, todos quantos estão envolvidos já sabem que há condições de trabalho. Quando houver condições de trabalho, aí sim, podes exigir vitórias.”  

A questão da falta de tempo de preparação foi abordada também na sala de imprensa, pela jogadora Analeesia Fernandes,

“Eu luto, nós Lutamos, lutar é, aliás, a nossa palavra de ordem. Sempre procuramos lutar até o fim. Somos um grupo forte, só que é uma chatice não temos esse tempo para estarmos juntos a treinar e aprimorarmos. Mas penso que somos fortes, somos competitivos.”

Apesar da derrota, o duelo com Angola foi aquele em que Cabo Verde marcou mais pontos. Destaque para a capitã Jade Leitão, melhor pontuadora da partida, com 20 pontos. Grande desempenho, também, da Joseana Vaz, que anotou 18 pontos, ganhou 9 ressaltos e fez 5 assistências

Esta foi a quinta participação de Cabo Verde no Afrobasket feminino, depois das presenças em 2005, 2007, 2013 e 2019.

Benvindo Neves



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