Presidente FCB critica processo de atribuição de wild card a David Pina para Jogos Olimpicos e diz que COC "passou por cima" da Federação

17 de junho de 2021

Pugilista David Pina (vermelho) em ação
A+ A-

O Presidente da Federação Cabo-verdiana de Boxe diz-se indignado com aquilo que considera ser um processo pouco claro de atribuição de um wild card ao pugilista David Pina para ir aos Jogos Olímpicos de Tóquio.

“Devem ter pedido wild card diretamente a favor de um atleta, sem consultar a FCB, sem respeitar o ranking da modalidade, inclusive puseram um selecionador deles. Não há nada contra o atleta, nem contra o selecionador, o que está em causa é a forma como fizeram as coisas”, criticou o responsável em declarações à Rádio de Cabo Verde.

Flávio Furtado fala em “segundas intenções” do Comité Olímpico Cabo-verdiano e lembra que as escolhas devem obedecer a critérios objetivos, a começar por um ranking.

“Temos vários atletas com possibilidades, que fizeram preparação durante o ciclo olímpico com o objetivo de irem a Tóquio. Agora, vem o COC, trata o assunto diretamente com um atleta, passando por cima da Federação. Isso deixa-nos chocado. Nós não somos contra o wild card, somos contra o procedimento. Querem apenas constituir a sua delegação de qualquer maneira.”

Ou seja, para Flávio Furtado, em havendo wild card para o boxe, este deveria ser atribuído a quem o mereça por mérito.

“Há um ranking a nível do Comité Olímpico Internacional. Tinham pedido para que eu inscrevesse Wilson Semedo e eu disse que não inscrevia apenas ele, mas sim todos os cabo-verdianos que têm potencial. Sempre queriam levar Wilson, que é atleta daquele treinador português. Agora, não sei o que se passou, acho que o interesse virou-se somente para Santa Cruz. O Comité Olímpico funciona sempre com segundas intenções e digo isso em qualquer lugar”, atirou o responsável máximo do boxe cabo-verdiano.

COC esclarece: “processo foi conduzido por task force do COI”

Face à estas críticas do Presidente da Federação Cabo-verdiana de Boxe, a RCV contactou o Comité Olímpico Cabo-verdiano.  A resposta veio através do Chefe da Missão cabo-verdiana aos Jogos Olímpicos de Tóquio. Leonardo Cunha começou por explicar que o processo foi todo ele liderado pelo Comité Olímpico Internacional

“No passado dia 11 de junho, a Solidariedade Olímpica contactou o COC para informar que tinha sido solicitada uma vaga convite para outros atletas de boxe, que estes tinham sido levados em consideração, mas por uma série de outros critérios tinha sido definido que a vaga poderia vir a ser oferecida ao atleta David Pina.”

A escolha de David Pina, por parte do Comité Olímpico Internacional, obedeceu a critérios estritamente definidos por aquele organismo internacional, garante Leonardo Cunha.

“Quando perguntámos ao COI quais teriam sido os critérios para a escolha de David Pina, foi-nos esclarecido que eram simples: teria de ser atleta masculino de 52 quilos, porque era a única categoria de peso que ainda não tinha preenchimento de vaga e, ainda, teria de ter participado na última qualificativa de Dakar, que decorreu em 2020, e na qual Cabo Verde participou com os atletas Wilson, David, Ivanusa e Davilson.”

No meio desse grupo de pugilistas cabo-verdianos, além de ser o único elegível para os 52 kg, o COI viu mérito em David Pina.

“A task force do COI esclareceu-nos que nos dezasseis-avos de final da qualificativa de Dakar o atleta [David Pina] teve um resultado de 3-2 contra aquele que acabou por ser medalha de prata da competição. Os organizadores dizem que o atleta teve grande mérito e que é capaz de ter um bom resultado nos Jogos. Infelizmente, só está disponível a categoria de 52 kg.”

Em suma, o chefe da missão de Cabo Verde aos Jogos Olímpicos diz que o Comité Olímpico Cabo-verdiano não interferiu no processo, apenas foi intermediário.

Oiça, em baixo, a notícia com as declarações de Flávio Furtado (Presidente da Federação Caboverdiana de Boxe) e Leonardo Cunha (Chefe da Missão cabo-verdiana aos Jogos Olímpicos de Tóquio)

Benvindo Neves / RCV



Artigos Relacionados