Gracelino Barbosa desabafa: "luto com o que eu tenho, já não me humilho a procurar apoios junto do Governo"

09 de junho de 2021

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Gracelino Barbosa está a competir no Campeonato do Mundo de Atletismo Virtus, que decorre desde esta terça-feira na Polónia.

O atleta paralímpico cabo-verdiano regressa às provas depois de uma longa paragem de cerca de ano e meio, imposta pela pandemia. A viver atualmente em Paris, para onde emigrou em 2020 para procurar melhores condições de vida,  Gracelino diz que entrou numa fase em que já só conta com o que ele tem.

Ainda no aeroporto da capital francesa, antes da partida para a Polónia, o atleta falou à Rádio de Cabo Verde. À pergunta se se ia viajar sozinho para a competição, o atleta paralímpico foi directo. “Pergunta engraçada, porque também pergunto quando é que não fui sozinho? Já  me habituei em participar sozinho. Mas não tento focar nisso. Se não há dinheiro nem para viagem, nem para preparação…também não há dinheiro para levar um staff de mais uma ou duas pessoas. Isso já não me diz nada, já estou acostumado com estas situações, vou com o que eu tenho.”

Muito Crítico, Gracelino Barbosa diz já nem se preocupar com apoios do Governo. “Apoios pelo lado do Governo é, repetidamente, a mesma ladaínha. Nada se faz e isso vai continuar. Estou numa fase que nem me mais preocupo com isto”.

O atleta vai mais longe e diz não estar disposta a humilhar-se mais. "Se eles me devem as minhas medalhas, acha que eu vou procurar saber de apoios ou humilhar-me mais com isso? Não, já chega... agora é focar-me em mim e não alimentar esperanças, que não vai acontecer. Importante é focar nas provas”, atirou.

Voltando para o Campeonato do Mundo de Atletismo Virtus, Gracelino ainda tem esperança em se qualificar para as paraolimpíadas de Tóquio. No entanto, o atleta garante não estar obcecado com isso. 

O Campeonato do Mundo de Atletismo Virtus decorre até o próximo dia 14 deste mês na Polónia. Marca o regresso à competição de Gracelino Barbosa, e o ressesso a um país onde em 2020 ganhou 3 medalhas. 

Oiça, em baixo, a matéria da Rádio de Cabo Verde com as declarações de Gracelino Barbosa: