Nacional Futebol: Gogol bisa em 3 minutos e evita derrota da Académica na receção ao Rosariense

25 de junho de 2022

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O primeiro jogo das meias finais do Campeonato Nacional de Futebol teve um pouco de tudo. Golos bonitos, guarda-redes mal batidos, intensidade e muito vento a atrapalhar os protagonistas.
 
Foi uma partida intensa entre as duas equipas que até agora mais golos marcaram nesta prova. E marcam há sete jogos seguidos, ou seja, desde que arrancou o campeonato.

A jogar em casa, com o vento a favor na primeira parte, a Académica entrou a querer assumir a partida. Mas, pertenceu ao Rosariense os dois primeiros sinais de perigo. Logo aos 3 minutos, Samuel cruzou tenso, guarda-redes Piduca mostrou atenção perante a aproximação de um dianteiro santantonense. Pouco tempo depois, o primeiro remate enquadrado saiu dos pés do lateral Ady, mas sem grandes dificuldades para o guardião são-vicentino.

À entrada para o primeiro quarto de hora, a Académica estabilizou seu jogo e começou a querer empurrar o Rosariense. Lela deu o mote com uma bola jogada pela esquerda mas com um centro atrasado que não encontrou nenhum companheiro para atirar à baliza de lâmpada.

Dos 14 aos 20 minutos, viu-se uma Académica forte, instalada no meio campo do Rosariense e a criar algum frisson na área alvinegra.

O Rosariense conseguiu estancar a pressão numa rápida transição, com Tucin a aparecer com um remate colocado, muito perto do poste direito da baliza de Piduca. 

O minuto 39, certamente vai passar a constar na galeria dos “apanhados”. Boa jogada da Académica pelo flanco direito, há um primeiro remate de trivela que Lampada, em dificuldades, defende para a frente. A bola vai parar aos pés de Tchukin. O avançado, com toda a baliza à mercê, atirou ao poste. Perdida incrível.

A resposta do Rosariense foi fatal. Tudo começa num livre a meio do meio-campo da Académica. Oceano teleguiou a bola até a cabeça de Tucin que, num belo golpe abriu o marcador para o delírio dos muitos santantonenses que estavam nas bancadas. Vantagem do Rosariense ao intervalo, 1-0.

A segunda parte começa tal como acabara o primeiro tempo, com o Rosariense a marcar. Novamente Oceano na assistência, agora para Nuno. Descaído para a direita, o melhor marcador deste campeonato foi rápido a decidir, mesmo que importunado por um adversário. Levantou a cabeça, viu Piduca adiantado e fez-lhe um belo chapéu.

A vencer por 2-0, o Rosariense ficou bastante confortável na partida, e mesmo com a Académica a ter mais posse de bola, a linha defensiva do conjunto da Ribeira Grande mostrava-se muito coesa e não dava grandes oportunidades ao adversário.

Gogol entrou com os golos

Mal sofreu o segundo golo, o treinador da Académica, Carlos Machado, agiu logo. Foi ao banco chamar o criativo Gogol e retirou um homem mais defensivo, Dery, que saiu visivelmente irritado com a decisão.

Gogol trouxe mais acutilância e clarividência ao jogo da Académica, que tanto precisava de cabeça fria.

A 15 minutos dos 90, o atacante, que por sinal é de Santo Antão, deu o aviso com um bom remate, travado por Lampada. Entretanto, instantes antes, Ady, num remate de ressaca, já tinha ficado muito perto do 3-0 para o Rosariense. A bola saiu ligeiramente por cima. 

Os golos de Gogol ficaram para os instantes finais. Minuto 89, boa jogada coletiva pelo flanco direito, centro atrasado e Gogol, num belo movimento de frente para trás vai ter com a bola já na pequena área e reduz para 1-2. Era o renascer das esperanças da Académica.

A força anímica ganha pelos são-vicentinos a partir desse momento foi de tal forma que, passados 3 minutos, chegou o empate novamente por Gogol. O extremo aparece descaído para a esquerda e, num centro remate de trivela, a bola vai diretamente para a baliza. Lampada, que já tinha iniciado o movimento de saída, viu-se surpreendido pela trajetória da bola. Ainda em desespero tentou a defesa mas sem sucesso. Estava feito o 2-2, para o alívio dos adeptos da casa a contrastar com o gelo que caiu sobre os santantonenses.
 
O que disseram os treinadores

Carlos Machado, treinador da Académica do Mindelo 

“Nós não atirámos a toalha ao chão, a minha equipa nunca atira a toalha ao chão e isto são 180 minutos. O resultado não foi positivo, foi negativo. Falhámos muito. Não concretizámos e depois cometemos erros lá atrás. Já lhes disse que no Campeonato Nacional é complicadíssimo cometermos erros porque as equipas são todas fortes. Mas, vamos a Santo Antão disputar a eliminatória”

Marcos Fortes, treinador do Rosariense

“Nos últimos cinco minutos, o quarto árbitro prejudicou-nos em termos do esquema que tínhamos montado para as substituições. Demorou de propósito, não sei porquê. Mas, independentemente disso, nós viemos para ganhar o jogo. [Sobre a segunda mão] nós estamos em vantagem e, independentemente disso, vamos jogar para ganhar. Respeitamos o adversário que é uma excelente equipa, mas vamos para jogar para ganhar.”


Benvindo Neves 
 

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