JOG D’PALAVRA. Campeonato Nacional Futebol 2023/24 sem estreantes e sem os tais reis. Competitividade esperada e o mini campeonato dos artilheiros

04 Maio de 2024

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Crónica de Benvindo Neves

Abril foi-se embora. Deve ter saído com a cara atravessada e a mandar palavrões. Coitado de abril, ele ia abrir o Campeonato Nacional de futebol, temporada 23/24, mas um m’rinha d’avião criou um problemão: o campeonato foi adiado, sine die! Abril chegou aos 30 dias e foi obrigado a ceder lugar ao seu companheiro que lhe segue sempre na fila do calendário.

Maio entrou e trouxe bons ventos. Campeonato retomado, é no dia 4. O mês 4 é que deve ter ficado a morrer de ciúmes. Abril, que gozava nos últimos tempos de um monopólio que lhe permitia sempre dar o apito inicial da competição, ficou desta vez a ver navios (no lugar de aviões). E maio maiá!

Feito o aquecimento neste jogo d’palavra, é hora de chamar as equipas.

A edição deste ano da “Champions CV” está longe de ser mais do mesmo. Desde logo porque das 12 equipas que estiveram na edição anterior, só metade repete a presença: Morabeza (Brava), Barreirense (Maio), Juventude (Boa Vista), Varandinha (Santiago Norte) e Sanjoanenses (Santo Antão Sul), este último tendo conquistado o campeonato regional por via da secretaria.

A estes cinco campeões regionais repetentes, junta-se a Palmeira do Sal que, embora não tendo ganho o campeonato do Sal esta época, já tinha lugar cativo no Nacional por ser a campeã em título.

Quanto a segunda metade, são equipas que regressam ao Campeonato Nacional, algumas após um ou dois anos de ausência e outras quase que já iam esquecendo o sabor da maior competição do futebol cabo-verdiano. Entre aqueles que andavam “desaparecidos” salta à vista o Boavista, que regressa após ausência de 9 anos, Derby, 8, Académico do Sal, 7, ou Académica do Fogo, 5 anos.

O sorteio, com seus caprichos, tratou-se de voltar a juntar os campeões de Santiago Sul e São Vicente no mesmo grupo. E se no ano passado tinham sido os encarnados dos Travadores e do Mindelense, desta vez, ficam juntos axadrezados e azuis, curiosamente aqueles que entre os 12 participantes levavam mais anos longe do Nacional. Mas também são esses que, na ausência dos colossos Mindelense e Sporting da Praia, ostentam o melhor palmarés entre os 12. 

Derby e Boavista têm três campeonatos nacionais cada e há muito tempo que andam a sonhar com um quarto. A última conquista dos axadrezados da Praia já tem 14 anos. No caso dos azuis e brancos do Mindelo é preciso recuarmos quase 20 anos (2005) para encontrarmos o último título nacional conquistado.

Um campeonato nacional de futebol sem Mindelense e Sporting da Praia ao mesmo tempo é coisa rara, raríssima mesmo, nas últimas décadas. Aliás, há 20 anos que esta competição não tinha pelo menos um desses. Logo esses dois reis, os únicos que têm tetra-campeonatos nacionais e todos conseguidos neste milénio. Para se ter uma noção do domínio do Mindelense e do Sporting no Campeonato Nacional, basta um simples dado bastante elucidativo: o número de campeonatos ganhos por estas duas equipas nos últimos 20 anos (12) é de longe superior à soma dos títulos conseguidos por todos os clubes que estão neste campeonato nacional ( a saber Derby (3), Boavista (3) Académico (1) e Palmeira (1).

Com a ausência dos dois “papa-títulos”, a edição deste ano do Campeonato Nacional parece-me estar mais “democratizada” e com um nível de equilíbrio mais acentuado, pelo menos no plano teórico. Desde logo, não há, desta vez, qualquer estreante. Ou seja, todas as 12 equipas têm experiência nesta prova e só uma delas tem menos de três presenças, Juventude da Boa Vista. 

Outro aspeto que, em teoria, poderá levar-nos a esperar um Nacional bastante competitivo é olharmos para aquilo que se passou nos campeonatos regionais. Não deixa de ser assinalável o facto de em 8 das 11 regiões, o campeão só ter sido encontrado na última jornada. Aliás, em três delas – Sal, Boa Vista e Santiago Norte – o campeão até ficou com os mesmos pontos do segundo lugar, pelo que foi a questão do confronto direto a fazer diferença. Só Santiago Sul, Fogo e Brava viram seus campeões festejarem antes da derradeira jornada. Terá essa forte competitividade registada nos campeonatos regionais algum reflexo na prova nacional? Veremos.

Finalmente, um piscar de olhos aos goleadores. Dos 11 melhores marcadores dos campeonatos regionais desta época, só dois não marcam presença no Campeonato Nacional: Rubinha, da Académica do Porto Novo (Santo Antão Sul) e Gato do Vulcânico (Fogo).

Quanto aos outros 9 - Rodrigo (Rosariense), Rodrigo (Derby), Patchick (Ultramarina), Ban (Académico) Xilala (Juventude), Silá (Barreirense), Sunday (Boavista), Evandro “Vá Preta” (Varandinha) e Fábio (Morabeza) – têm agora o maior palco do futebol nacional para continuarem a se mostrar. 

De todos estes há um que certamente atrai todos os olhares: Sunday! O nigeriano, que vai sendo campeão em Santiago Sul por todas as equipas por onde vai passando, marcou 22 golos no campeonato regional de Santiago Sul, o que dá uma média de 1 golo por cada jornada. Será que vai continuar de pés e cabeça quentes no Nacional? E quem vai suceder Tchukin que nas duas edições anteriores foi o artilheiro-mor do Campeonato Nacional? Este mini campeonato dentro do Campeonato Nacional vai ser igualmente animado.

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