Crónica Jogo d'Palavra. Campeonato Nacional de Futebol - Treinadores: entre o regresso das raposas, os escassos repetentes e os marinheiros de primeira viagem

20 Abril de 2023

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Por: Benvindo Neves

O Campeonato Nacional de Futebol está de volta! A “Champions CV”, como costuma dizer o confrade Xuster, começa esta sexta-feira! Sexta!? Siiiim, não há que estranhar! Kabá go esta sexta nem é 13! Portanto, nada de estranheza. Afinal, a CV Interilhas também joga neste campeonato, e suas decisões são soberanas. 

A Académica do Mindelo, que teve honras de encerrar (em estilo) a última edição, agora tem o privilégio de abrir a competição deste ano. (Vai estar na abertura depois de ter estado na fechadura, diria aquele descuidado). Os campeões nacionais jogam, esta sexta-feira, na ilha Brava, com o Morabeza. 

No comando da Académica está agora o “raposa” Rui Leite. Quatro vezes campeão nacional pelo Mindelense, o experiente treinador tinha sido uma das grandes ausências da edição anterior. Fora despedido pelos “Leões da Rua da Praia” quando faltavam 4 jornadas para o fim do campeonato regional de São Vicente. Ficou mal-kustmód, certamente a roer as unhas. Logo Rui, um fominha que vive de forma particularmente intensa cada jogo. O Campeonato Nacional sentiu a falta dele. E Jog d’Palavra também, claro. Sentiu falta da sua paixão, dos seus mind games e sobretudo da sua rbika. Rbikent sim, arrogante não, fez questão de esclarecer numa grande entrevista que nos concedera no Sal quando foi campeão nacional em 2019.

Agora ele está de volta e, curiosamente, com estreia num palco inédito. Nunca Rui levou uma equipa para jogar na Brava. Na bela ilha das flores vai defrontar o gentleman do campeonato do ano passado, Ney Locô, o treinador que mais acarinhou os adversários nas suas declarações à imprensa ao longo do campeonato do ano passado. O treinador do Morabeza é dos poucos que transitam da edição anterior para a deste ano. Aliás, são apenas dois: ele e o treinador do Varandinha, Tchober Levy. Toca Leite, da Palmeira, poderá ser considerado mais um repetente, embora na edição anterior fosse adjunto de Dixinha. Desta vez, assume a equipa salense enquanto treinador principal. 

Voltando aos regressados, Gunga Fonseca salta à vista. Tal como Rui Leite, a sua ausência na edição 2021/22 foi muito sentida. Afinal, tinha estado em 10 consecutivos, sendo um com o Sporting do Porto Novo e mais 9 com a Académica do Porto Novo. No ano passado, fez uma pausa, não treinou nenhuma equipa. Regressou ao ativo esta época, pegou nos Sanjoanenses e… lá está, diretamente para o Nacional. Raposa velha este Gunga! Desde 2009, sempre que treinou uma equipa colocou-a no Campeonato Nacional!

Outros regressados: 
Janito Carvalho, treinador dos Travadores, decerto que já não via a hora de voltar a sentir os cheiros do Campeonato Nacional. No ano passado perdeu a oportunidade por um triz, quando nada fazia prever que “os encarnados” viessem a perder o regional de Santiago Sul nas últimas jornadas. A azia foi grande, otu bai fika na remedi um bes bai. Agora, Janito regressa. Ele que tem pergaminhos na competição. Já foi campeão nacional pelo Boavista (2010) e pelo Sporting da Praia (2012). Já assumiu que é candidato ao título. Pudera, Boi não aceitaria outro objetivo. 

Emerson Rodrigues “Palela”, do Santo Crucifixo, volta ao palco onde já esteve uma vez, com os Foguetões em 2018 (chegou às meias-finais). Depois, com o Santo Crucifixo, a pandemia tramou-o. O cara ainda é jovem, mas já começa a ser um caso sério. Em cinco anos como treinador, já foi campeão regional de Santo Antão Norte por 3 vezes.

Alírio Martins, do Figueirense, vai para sua segunda presença na “Champions CV”. Em 2018, esteve presente com o Barreirense. Agora, tem a responsabilidade de mostrar ao estreante Figueirense como se comportar no maior palco do futebol nacional.

Luís Neves, da Juventude da Boa Vista, tem o mesmo registo de Alírio. O treinador são-vicentino assina a sua segunda presença no Campeonato Nacional sempre com equipas da ilha das dunas. Em 2018 esteve ao leme do Sal Rei. Desta vez, tem a responsabilidade de apresentar o Nacional aos novatos de João galego.

Marinheiros de primeira viagem
São três os marinheiros que saltam para o mar do Nacional pela primeira vez. Há, por isso, muita curiosidade para se saber se es te mareá e dá pexe kmida ou se são bons marujos. 

Américo Medina “Miki” foi contratado para assumir os destinos do Mindelense já com a época em andamento. O Torneio de Abertura tinha acabado de chegar ao fim. Miki chegou e venceu! Sagrou-se campeão de São Vicente, o primeiro título da sua carreira. E vai para o Campeonato Nacional com muita responsabilidade sobre os ombros. Primeiro, porque o campeão de São Vicente é sempre um eterno candidato ao título. Depois, porque o Mindelense vem de uma campanha deprimente na edição anterior em sequer passou da fase de grupos. O antigo treinador do Castilho mostrou muita serenidade durante as conferências de imprensa após cada jogo do Soncent Superliga. Vamos ver se manterá esse registo no Campeonato Nacional. 

Dionísio Rodrigues é outro novato nas lides do Campeonato Nacional. Orienta o Belo Horizonte, o campeão de São Nicolau que participa na “Champions CV” pela segunda vez na sua história. A equipa estreou-se nesse palco em 2018. na altura treinada por Deny Almeida. Dionísio já disse ser um orgulho enorme e a realização de um sonho ser campeão pela equipa da sua zona, Juncalinho. Em 2018, Belo Horizonte esteve a um pequeno passo de chegar às meias-finais do Nacional. Ficou a um golo de o conseguir. As gentes da ponta leste de São Nicolau, e de toda a ilha em geral, certamente quererão que “as abelhas” façam ainda melhor.

Victor “Touré” Dias é o mais verde dos novatos que vão estar no Campeonato, enquanto treinadores. Antigo jogador de elite no Fogo, e não só, Victor conhece bem as manhas da competição, já que lá esteve algumas vezes como jogador. Agora a conversa é outra. O antigo médio começou a época como adjunto de Mané de Lulucha e terminou como treinador principal. Fogo foi uma das quatro regiões a marcar presença nas meias-finais do campeonato anterior. Es debi tenê odju na bo, oh Victor!

Durante os próximos três meses vamos estar muito atentos ao Campeonato Nacional de Futebol. Atentos ao jogo nos relvados e ao jogo de boca, jog d’palavra.

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