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Embaixador em Nova Iorque diz que Cabo Verde fez um bom negocio


Embaixada de Cabo Verde em Washington
14 Nov 2014 Diáspora


Fernando Wahnon afirma que prédio da embaixada na "grande maçã" custou um milhão de dólares em 1983.



O jornal inglês The Telegraph publicou esta semana um artigo sobre as embaixadas de países pobres ou em desenvolvimento existentes numa das áreas mais nobres de Nova Iorque, entre elas a de Cabo Verde, cujo imóvel está avaliado, segundo o jornal, em 48 milhões de dólares.

O jornal cita o caso da França e Inglaterra que deixaram a área, vendendo os imóveis que aí detinham.

A notícia provocou muitas reacções nas redes sociais principalmente pelo valor do imóvel, que alberga a missão de Cabo Verde junto das Nações Unidas e a casa do embaixador, citado pelo The Telegraph, que é de 48 milhões de dólares.

Muitos questionaram o negócio e, tal como o jornal, alguns insinuaram como pode um país pobre como Cabo Verde possuir uma propriedade numa das áreas mais nobres da cidade mais cara dos Estados Unidos.

Na área, por exemplo, moram alguns dos principais milionários americanos, como Madonna e Woody Allen, e os bilionários Michael Bloomberg e David Koch.

Outros países como a Espanha, Tailândia, Iraque, Birmânia, Filipinas, Angola e Congo também têm imóveis na área, enquanto França, Inglaterra, Senegal e Costa do Marfim venderam recentemente as suas propriedades no New York’s Upper East Side.

O embaixador de Cabo Verde junto das Nações Unidas Fernando Wahnon, que se encontra em missão de serviço nas Seycheles, diz que o Estado fez um bom negócio e não entende o objectivo do artigo.

“Ou pretende favorecer a especulação imobilária, exercendo alguma pressão para que esses países possam vender as propriedades, ou é desinformação pura porque os preços de aluguer em Nova Iorque são muito elevados ou, e creio que esta é a razão mais forte, prova que acima de tudo Cabo Verde fez um excelente negócio”, questiona Wahnon.

O prédio foi comprado em 1983 no então consulado de Amaro da Luz e custou um milhão de dólares, o que, para Wahnon, prova que o Estado de Cabo Verde fez um bom negócio já que, a acreditar no valor de mercado indicado pelo The Telegraph, a propriedade valorizou-se 48 vezes em 31 anos.

Segundo o diplomata, o pagamento apenas do condomínio mensal em Nova Iorque de um apartamento ronda os 10 mil dólares, dinheiro que Cabo Verde não tem para estar a gastar todo o mês mais o aluguer.

Aliás, uma outra fonte diplomática indicou que a França está a pagar actualmente 25 mil dólares mensais de condomínio, enquanto Cabo Verde não paga nenhum centavo.

Entretanto, as mesmas fontes diplomáticas adiantaram que o prédio necessita de muitas obras de manutenção, mas o seu valor é muito elevado para o tesouro nacional.

A venda de propriedades e compra de outras mais modestas, que geralmente decorrem de alguma pressão da opinião pública, não é uma prática de boa memória aqui nos Estados Unidos.

No início da década de 2000, o Governo cabo-verdiano vendeu um imóvel que funcionava como casa do embaixador em Washngton e enviou o dinheiro para a Praia.

Hoje, o embaixador vive a mais de 40 minutos da embaixada numa cidade onde o trânsito é muito congestionado na hora de ponta.


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