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FORA DE JOGO. Em casa sem futebol, com Alírio Martins

09 Mai 2020 Desporto

A pandemia da covid-19 não baixa a bandeirola e, por isso, tudo continua FORA DE JOGO. Aliás, este 2020 assim vai ficar. Esta sexta-feira foi anunciado o cancelamento de todas as competições. Nesta edição nº10 é Alírio Martins o "apanhado na banheira"

É da ilha do Maio. Chama-se Alírio Martins e é um dos treinadores mais jovens a dirigir, atualmente, uma equipa da primeira divisão de um campeonato regional de futebol em Cabo Verde. Tem 36 anos, nasceu na localidade de Figueira Horta, em 1983.

Foi em Santiago Sul que começou nessas lides de estar no banco a orientar jogadores. Estava-se em 2014. Na altura, com 30 anos, integrou, como adjunto, a equipa técnica da Associação Desportiva Ribeira Grande, então a militar na segunda divisão.

Da "segudona" ao escalão principal, o salto foi imediato. Nessa mesma temporada, 2014/15, pulou para a primeira divisão, e logo para um candidato ao título, o Boavista. Quando recebeu o convite do então treinador dos “axadrezados”, Humberto Bettencourt, para ser seu adjunto, não pensou duas vezes. E fez bem: nessa temporada, o Boavista sagrou-se campeão regional de Santiago Sul, venceu a Taça da Praia, e chegou às meias-finais do Campeonato Nacional. Estava aí uma boa rampa de lançamento para Alírio Martins.

Na época seguinte, 2015/16, Humberto Bettencourt foi contratado pela Académica da Praia, e levou com ele o seu adjunto Alírio.  
Entretanto, em 2016, Alírio Martins regressa à ilha do Maio para fazer parte de um projeto do Figueirense na segunda divisão do futebol dessa ilha. Mas, esteve pouco tempo com o conjunto da Figueira Horta. Ainda com a temporada a decorrer, mudou-se para o Académico 83. 

Depois de três anos como treinador-adjunto, tendo passado por cinco clubes entre Santiago Sul e Maio, chega a grande oportunidade: o Barreirense convida-o para ser treinador principal do clube encarnado. Está-se na época 2017/18 e, no ano de estreia, o jovem sagra-se logo campeão do Maio, quebrando um longo jejum de títulos para o conjunto do Barreiro. E mais, além do capeonato, ficou muito perto da dobradinha, foi finalista vencido da Taça.

Mas, Alírio Martins nunca demora mais que uma ou duas temporadas numa equipa, pelo menos até agora. Na época seguinte, 2018/19, já não fica no Barreirense e regressa ao Figueirense, agora para liderar um projecto muito mais ambicioso. A equipa, já na primeira divisão, investe com toda a força para atacar o título e vê em Alírio, um “menino” da zona, o homem certo para estar ao leme. Fica muito perto do objectivo, luta até ao fim para ser campeão e, a roçar a meta, perde a chance para o Académico 83.

Esta temporada, Alírio Martins permaneceu no Figueirense, coisa rara ele ficar duas épocas seguidas num clube! E ia ser campeão, o Figueirense ia fazer história, ou melhor, estava muito perto de o fazer, faltava-lhe 1 ponto. Mas, veio a covid-19 e mandou parar tudo.

“Foi tudo muito rápido. No início foi um choque mas depois tivemos de nos adaptar às circunstâncias dado a gravidade da situação”, começou por contar-nos o jovem treinador que também constatou muita tristeza nos jogadores. “No início ficaram tristes, obviamente. Mas, com o tempo, ganharam consciência da gravidade da doença e estamos a tentar ultrapassar esta situação, juntos.”

Quisemos saber como uma equipa que está a um jogo, a 1 ponto, de ser campeã pela primeira vez, gere toda esta situação.

“Efetivamente, estávamos à beira de um feito histórico e acredito que ainda vamos a tempo de dar esta alegria aos nossos adeptos. Tenho aproveitado a paragem para reflexões com leituras. Isso tem ajudado bastante”, respondeu.

Pedimos ao treinador do Figueirense que recordasse um momento especial desta temporada interrompida. “Como episódio marcante destaco a vitória frente ao Beira Mar, referente à 11ª jornada. O triunfo permitiu-nos solidificar a liderança.”

E agora? Esta sexta-feira o Governo reuniu-se com as federações desportivas e decidiram pelo cancelamento de todas as competições. Como essa decisão apanhou a equipa e o treinador, em particular?

“Com alguma tristeza, uma vez que ainda restavam esperanças de que podíamos dar a volta a situação face a pandemia, porém o ministro do Desporto lá saberá”.

O fim da época está decidido, agora cabem às Federação definir o desfecho de cada competição. O que esperas da FCC neste sentido?

“Tanto a federação como as associações são as vozes dos clubes. Têm agora de criar condições para minimizar este problema que, com um pouco mais de tolerância, não aconteceria. Falamos do futebol, uma modalidade que move paixões. E em Cabo Verde mobiliza a juventude, esperemos que a Federação seja mais justa em relação ao Ministério do Desporto”, concluiu.

Alírio Martins é um dos treinadores mais bem cotados atualmente na ilha do Maio. Tanto assim é que foi escolhido para dirigir a selecção maiesnse na mais recente edição da Taça Independência, o chamado “Inter Ilhas”, que decorreu em 2019, na ilha de São Nicolau. O conjunto do Maio não passou da primeira fase, é certo. Mas, conseguiu um feito inédito: derrotou São Vicente, algo que nunca tinha acontecido.

Benvindo Neves


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