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Morreu Nhô Doy, figura incontornável do carnaval mindelense, e não só


Nho Doy, num reportagem da TCV em 2014
07 Set 2020

Faleceu, esta segunda-feira, em São Vicente, Nhô Doy, fundador dos grupos carnavalescos “Vindos do Céu”, “Vindos do Oriente”, ambos em São Vicente, e “Estrela da Marinha”, na cidade da Praia.

Isidoro Rocha Brito, nome de registo, tinha 77 anos e estava doente. Carpinteiro de profissão, Nhô Doy esteve 61 anos ligado ao carnaval, tradição que herdou do pai, fundador do grupo Oriundo.

Antes de assumir a presidência de um grupo de carnaval, Nhô Doy, passou, durante os anos 60, pelos grupos Lombianos, Rio de Janeiro, Lombianinha e Flor Azul.

“Vindos do Céu” e “Vindos do Oriente” surgem nos anos 70, ao lado do amigo de sempre, Armando Pinheiro, como contou ao Albertino Brito, no programa “Vidas com História”.

"Eu e o Armando fundámos o Vindos do Oriente. Tínhamos fundado Vindos dos Céu, mas ele não quis abandonar-me, porque tínhamos sidos colegas no Flor Azul. Então decidimos criar o Vindos do Oriente, porque não queríams ficar à toa a ver desfilar outros grupos."

Em 2011, na cidade da Praia, onde trabalhava como carpinteiro, cria o Estrelas da Marinha, grupo que desfila pela primeira vez, em 2012.

"Estive lá muitos anos, e vi que havia o Vindos de África, um bom grupo, mas quando não saía, era só animação. Então, criei Estrelas da Marinha, a partir daí outros grupos começaram a evoluir."

Amiga pessoal e companheira de vários carnavais no Vindos do Oriente, Lili Freitas recorda Nho Doy como a pessoa que recuperou e revolucionou o carnaval em São Vicente.

“Depois daquele casamento de carnaval que Djibla tentou fazer, os tais casamentos que eram brincadeiras de carnaval que ele tentou fazer, Nho Doy e nós também formámos um grupo para voltarmos a incendiar o nosso carnaval. E foi assim. Nho Doy era uma pessoa especial. Havia aquelas pessoas típicas, mais velhas, mas Nho Doi cedo envolveu-se com elas. E eu posso dizer que foi ele quem me meteu no Carnaval.”

Outra descoberta de Nhô Doy foi Nóia, decorriam os anos oitenta. O projectista recorda-o como pessoa dedicada e sacrificada.

"Nho Doy era uma pessoa muito sacrificada. Sacrificava até a sua casa, a sua família, sequer se lembrava de fazer as refeições, aliás nem gostava que lhe falássemos de comida. Não andava de taxi, dizia que ficava ansioso porque se deslocava mais depressa que os taxis. Não gostava de estar parado. Nos tempos em que fazia carnaval, não havia dinheiro para o carnaval. Tudo era feito de forma gratuíta, ele empenhava por gosto. Por isso, vejo-o como uma figura digna de uma estátua."  Fica esta ideia de Nóia, para o futuro.

No passado, no carnaval de 2014, Lili Freitas e Nóia estiveram juntos na homenagem que o Vindos do Oriente prestou ao fundador do grupo. Nhô Doy vai a enterrar esta tarde, âs 15h 30m, a partir da residência dos Familiares, em Cruz João Évora.

José Leite, RCV
Editado por Benvindo Neves

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